S.E. Didier Budimbu, Ministro dos Hidrocarbonetos da República Democrática do Congo, anuncia a nova ronda de concessão de licenças para 16 blocos petrolíferos disponíveis para exploração durante uma mesa redonda organizada pela Câmara Africana da Energia.
A República Democrática do Congo (RDC) representa um dos mercados fronteiriços emergentes de África, com 180 milhões de barris de reservas petrolíferas comprovadas e até 5 mil milhões de barris de reservas estimadas. Num esforço para capitalizar este potencial de reservas e dar início ao boom de hidrocarbonetos no país, numa entrevista exclusiva em mesa redonda organizada pela Câmara Africana de Energia e na presença de S. Exa. Gabriel Mbaga Obiang Lima, Ministro das Minas e Hidrocarbonetos da Guiné Equatorial, S. Exa. Didier Budimbu Ntubuanga, Ministro dos Hidrocarbonetos da RDC, fornece informações sobre a próxima ronda de licenciamento do país.
Pode informar-nos sobre a ronda de licenciamento, quando será lançada e quantos blocos estão em oferta?
De 28 a 29 de julho de 2022, em Kinshasa, lançaremos concursos para a exploração e o desenvolvimento de infra-estruturas, onde mostraremos o que temos no país. A ronda de licenciamento será para 16 blocos que estão disponíveis para a exploração de petróleo. Estamos a tentar comercializar estes 16 blocos e a comercialização será feita através de plataformas como a African Energy Week na Cidade do Cabo. A informação relativa aos concursos estará disponível na base de dados do ministério, onde as partes interessadas podem aceder aos dados a um preço que será divulgado.
A RDC tem um enorme potencial em termos de hidrocarbonetos, embora o desenvolvimento destes recursos tenha sido de apenas 4,5%. Há muito que pode ser feito em termos de gás, especialmente na região de Kivu. Estou muito otimista quanto ao futuro do gás na RDC. Queremos aprender com outros que já o fizeram e é por isso que estamos a estabelecer parcerias com os nossos homólogos regionais, como a Guiné Equatorial. O gás para produção de energia é uma área em que também nos vamos concentrar e consideramos que a colaboração desempenha um papel fundamental na expansão do nosso mercado. Relativamente à transição energética, queremos fazer a transição energética, mas queremos beneficiar dos recursos de que dispomos.
Que incentivos tenciona a RDC pôr em prática para atrair os investimentos necessários à dinamização do mercado dos hidrocarbonetos?
Iremos introduzir algumas reduções e isenções fiscais para atrair mais empresas e investidores. Queremos que as empresas interessadas lancem a exploração e a produção e desenvolvam rapidamente as infra-estruturas, pelo que vamos pôr em prática todas as reformas necessárias para atrair investidores e empresas.
Qual é o potencial de hidrocarbonetos da RDC?
A RDC tem potencial para produzir entre 500.000 e 1 milhão de barris por dia, sendo este o nosso objetivo. Há também potencial para a RDC desenvolver metano para utilização no país. Temos uma grande população de 12 a 14 milhões de pessoas, pelo que existe um mercado interno significativo. Também queremos expandir a nossa produção de gás para permitir que entre 25 a 30 milhões de pessoas utilizem a nossa energia. Estamos também a olhar para isto como uma forma de preservar o nosso ambiente, não através do carvão, mas através do gás para cozinhar e outras actividades.
A RDC gasta enormes quantias na importação de petróleo refinado. Estará o ministério a planear aumentar a capacidade interna de refinação?
O nosso plano é ver como podemos construir refinarias no país. Temos a refinaria de Cabinda que vamos instalar e queremos que este projeto se concretize porque queremos diminuir os custos de importação. É crucial para nós termos um preço melhor. Além disso, olhando para o projeto que S. Exa. o Ministro Gabriel Mbaga Obiang Lima nos apresentou, sentimos que o projeto relativo à interligação de oleodutos nos permitirá obter produtos de toda a região. A nossa refinaria no país já não está operacional, pelo que estamos a tentar fazer avançar outros projectos que temos.
