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A AEC intervém em processo climático histórico para defender o futuro energético de África

A Câmara Africana de Energia apresentou o seu pedido para participar como amicus curiae, a fim de garantir que as prioridades de África em matéria de energia e desenvolvimento sejam tidas em conta num importante parecer consultivo sobre o clima.

A Câmara Africana de Energia (AEC) apresentou formalmente o seu pedido para ser admitida como amicus curiae num processo consultivo histórico perante o Tribunal Africano dos Direitos Humanos e dos Povos, marcando um passo estratégico para garantir que as prioridades energéticas de África sejam representadas num caso com implicações de longo alcance para o continente.

O caso, iniciado pela União Pan-Africana de Advogados, visa esclarecer as obrigações legais dos Estados africanos na resposta às alterações climáticas no âmbito dos quadros regionais de direitos humanos. Embora o pedido sublinhe a vulnerabilidade de África aos impactos climáticos, também levanta questões críticas sobre como tais obrigações poderiam ser interpretadas na prática – particularmente no que diz respeito ao desenvolvimento energético, à industrialização e ao crescimento económico.

O pedido solicita ao Tribunal que esclareça uma série de questões, incluindo as obrigações dos Estados de lidar com os impactos climáticos, proteger populações vulneráveis, implementar medidas de mitigação e adaptação e garantir a responsabilização nas decisões de política energética e de desenvolvimento. O envolvimento dos Estados africanos e das partes interessadas tem sido desigual, suscitando preocupações de que os resultados possam não refletir plenamente as prioridades do continente.

Para a AEC, o que está em jogo é significativo. Em todo o continente, há uma preocupação crescente de que os litígios e a defesa de causas relacionadas com o clima — frequentemente financiados ou orientados por ONG estrangeiras — tenham procurado bloquear o financiamento ou o desenvolvimento de projetos energéticos africanos. Exemplos recentes incluem processos judiciais que contestam o financiamento do Oleoduto de Petróleo Bruto da África Oriental, o desenvolvimento de gás em Moçambique pela Total Energies e litígios agressivos na África do Sul que visam a exploração de petróleo e gás natural. A Câmara acredita que as vozes africanas devem liderar o debate.

“Teríamos preferido um diálogo liderado por africanos sobre este assunto”, afirma NJ Ayuk, Presidente Executivo da AEC. “África não deve ser um participante passivo nas decisões que moldam o seu futuro energético. A nossa petição garante que as vozes dos países africanos, das suas indústrias e dos seus cidadãos sejam ouvidas. A política climática deve refletir não só as prioridades ambientais, mas também o direito fundamental ao desenvolvimento e ao acesso à energia.»

África é responsável por uma pequena parte das emissões globais de gases com efeito de estufa, mas continua a ser a região mais carenciada em termos energéticos do mundo. Mais de 600 milhões de pessoas ainda não têm acesso à eletricidade, enquanto as soluções de cozinha limpa continuam fora do alcance de centenas de milhões de pessoas. Neste contexto, a AEC defende que os recursos de petróleo e gás continuarão a desempenhar um papel vital na promoção da industrialização, da criação de emprego e da resiliência económica.

Através da sua apresentação, a Câmara pretende fornecer ao Tribunal perspetivas setoriais específicas sobre a interseção entre as alterações climáticas, os direitos humanos e o desenvolvimento energético. Em particular, a AEC salienta a importância de uma transição energética equilibrada e inclusiva, que incorpore hidrocarbonetos a par de soluções de energia renovável.

O parecer consultivo surge no meio de uma tendência global mais ampla de litígios relacionados com o clima, reforçando a necessidade de as instituições africanas se envolverem ativamente na definição de quadros jurídicos. Garantir que as perspetivas e prioridades africanas sejam centrais nestes debates é fundamental para alcançar resultados justos, equitativos e alinhados com as ambições de desenvolvimento do continente.

«Como continente, temos de liderar este debate com clareza e convicção», acrescentou Ayuk. «As decisões tomadas hoje irão moldar o futuro energético de África para as gerações vindouras. África merece um quadro que proteja o seu direito ao desenvolvimento, garanta o acesso à energia e aborde os desafios climáticos de forma justa e pragmática — sem influência indevida de atores estrangeiros ou ONG.»

O envolvimento da Câmara marca o início de um esforço mais amplo para informar, mobilizar e alinhar as partes interessadas em todo o continente, ajudando a salvaguardar o direito de África a desenvolver os seus recursos energéticos de forma responsável e sustentável.

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