A crise de refinação em África é frequentemente enquadrada como uma falta de infraestruturas, mas é igualmente um problema de subutilização. Apesar de deter cerca de 12% das reservas globais de crude, o continente ainda importa mais de 70% do seu combustível refinado, uma vez que as refinarias existentes continuam a operar muito abaixo da sua capacidade. Equipamentos envelhecidos, manutenção inconsistente e financiamento limitado deixaram os ativos na Nigéria, na Líbia e noutros países a funcionar a uma fração do seu potencial.
A Venezuela passou a última década a enfrentar um desafio surpreendentemente semelhante. Outrora sede de um dos sistemas de refinação mais avançados do mundo, o país viu a sua utilização desmoronar-se antes de recuperar gradualmente para cerca de 31–35% – aproximadamente 400 000–450 000 barris por dia – através de correções incrementais em vez de investimento em grande escala. Essa recuperação modesta oferece uma perspetiva útil para África, onde as remodelações completas das refinarias são frequentemente financeiramente inacessíveis.
No centro do sistema venezuelano está o Centro de Refinação de Paraguaná, responsável por mais de 70% da capacidade nacional. Concebido para processar cerca de um milhão de barris por dia, o complexo tem sido limitado por cortes de energia recorrentes, desafios de manutenção e dificuldades em manter as unidades interligadas a funcionar em sincronia – limitando a produção global mesmo quando os componentes individuais estão em funcionamento.
Por toda a África, as refinarias, da Nigéria à Líbia, enfrentam o mesmo desafio estrutural: grandes capacidades nominais, mas taxas de utilização persistentemente baixas. Em fevereiro de 2026, a Nigerian National Petroleum Company suspendeu as operações nas refinarias estatais da Nigéria, uma vez que a utilização oscilava entre os 50 e os 55% – um desequilíbrio que estava a provocar «perdas monumentais». A Líbia apresenta um quadro semelhante. O país opera cinco refinarias com uma capacidade combinada de 380 000 barris por dia, mas a produção real está mais próxima de um terço desse nível, refletindo os danos sofridos durante conflitos passados e o lento progresso na reabilitação.
A experiência da Venezuela mostra que o desafio não reside tanto na construção de novas refinarias, mas sim na manutenção e reabilitação das existentes. Veja-se o caso da refinaria de El Palito. Com uma capacidade de cerca de 140 000 barris por dia, as operações têm sido repetidamente interrompidas por incêndios e falhas técnicas. A sua unidade de craqueamento catalítico fluido (FCC) — fundamental para a produção de gasolina — tem sido um ponto fraco persistente. Esforços recentes para reiniciar a unidade, mesmo que com capacidade limitada, ajudaram a compensar interrupções noutros locais e a estabilizar o abastecimento de combustível, sublinhando o impacto de intervenções direcionadas.
«É aqui que os quadros de cooperação emergentes, incluindo o envolvimento entre a Câmara Africana de Energia e a empresa petrolífera estatal da Venezuela, a PDVSA, estão a ganhar relevância», afirma NJ Ayuk, presidente executivo da Câmara Africana de Energia, acrescentando que o valor reside menos na exportação de um modelo e mais na partilha de experiência prática.
“A Venezuela foi forçada a operar sob restrições – reiniciando unidades sem revisões completas, obtendo peças de forma criativa e priorizando ganhos incrementais”, afirma.
Essa cooperação poderia apoiar os esforços de reabilitação, concentrando-se na resolução de problemas técnicos em vez de uma transformação intensiva em capital. Num ambiente em que o financiamento continua restrito, este tipo de transferência de conhecimento operacional pode revelar-se mais impactante no curto prazo do que o desenvolvimento de projetos em grande escala.
Dito isto, a Venezuela também destaca o que se deve evitar. Anos de subinvestimento e má gestão operacional desempenharam um papel central no declínio do seu setor de refinação. Quaisquer lições devem ser aplicadas de forma seletiva, com uma ênfase mais forte na manutenção, na governação e no planeamento a longo prazo.
Para África, a prioridade é clara: não se trata apenas de expandir a capacidade de refinação, mas de melhorar o desempenho dos ativos existentes. Muitas instalações têm potencial para operar de forma muito mais eficiente com o enfoque técnico adequado e investimento sustentado. É improvável que a Venezuela forneça uma solução completa para os desafios de refinação de África, mas a sua experiência reforça uma lição mais prática – restaurar a produção é viável, mesmo em ambientes restritos, quando os esforços se concentram na reabilitação direcionada e na disciplina operacional.













