Angola deu um passo decisivo no aprofundamento da sua parceria estratégica com os Estados Unidos, na sequência de um encontro de alto nível realizado a 11 de Junho entre o Ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, e o Secretário de Energia dos EUA, Chris Wright. A reunião, que contou também com a presença do Embaixador de Angola nos Estados Unidos, Agostinho Van-Dúnem, reafirmou o compromisso conjunto de fortalecer a cooperação nos domínios do petróleo e gás, dos minerais críticos e do desenvolvimento de energias renováveis.
As empresas norte-americanas têm desempenhado um papel de destaque na indústria petrolífera angolana, desde a exploração offshore até à produção e infraestrutura. Durante o encontro, o Ministro Diamantino Azevedo e o Secretário Chris Wright analisaram formas de aprofundar esta parceria, com destaque para novos projectos de exploração, valorização do gás, refinação e desenvolvimento de minerais críticos – essenciais para as cadeias de fornecimento de tecnologias limpas. Foram igualmente salientados os esforços de Angola para atrair investimento norte-americano em iniciativas de energia renovável, nomeadamente nos segmentos solar e de hidrogénio verde, no âmbito da sua estratégia de diversificação e modernização económica.
“Esta reunião reflecte a solidez e a evolução da parceria entre Angola e os Estados Unidos. Estamos empenhados em trabalhar em conjunto para alcançar uma transição energética equilibrada – que potencie os recursos naturais de Angola, promova a cooperação tecnológica e contribua de forma significativa para os nossos objectivos de transformação económica e desenvolvimento”, declarou o Ministro Diamantino Azevedo.
Com mais de nove mil milhões de barris de reservas provadas de petróleo e cerca de 11 biliões de pés cúbicos de gás natural, Angola colocou no mercado oportunidades de investimento superiores a 60 mil milhões de dólares no sector de petróleo e gás, por via da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG). Estas oportunidades abrangem exploração, desenvolvimento, processamento de gás, refinação e infraestrutura intermédia. A ronda de licitações prevista para este ano disponibilizará dez novos blocos nas bacias do Kwanza e de Benguela, enquanto outros onze blocos estão abertos a negociação directa, a par de cinco áreas de campos marginais.
As empresas norte-americanas continuam a ter um papel estruturante no panorama energético de Angola. No início deste mês, a ExxonMobil, em parceria com a TotalEnergies, garantiu a extensão do contrato de partilha de produção (PSC) do Bloco 17, permitindo a continuidade da exploração e desenvolvimento em águas profundas nesta bacia prolífica e reafirmando o seu compromisso de longo prazo com o offshore angolano. Paralelamente, a ExxonMobil está a avançar com a reabilitação do Bloco 15 – de onde já foram extraídos mais de 2,6 mil milhões de barris – através de um programa de 18 poços que prolongará a vida útil do bloco por mais de duas décadas e já resultou em duas novas descobertas. A empresa está ainda a conduzir estudos prospetivos nos Blocos 17/06 e 32/21, em colaboração com a TotalEnergies e a ANPG, com vista à identificação de alvos para futuras perfurações.
A Chevron, por intermédio da sua subsidiária Cabinda Gulf Oil Company, lidera os esforços de desenvolvimento do gás em Angola. A empresa aumentou a capacidade de fornecimento de gás para 600 milhões de pés cúbicos por dia à unidade Angola LNG e iniciou, no início deste ano, a produção do Projecto Sanha Lean Gas Connection, que abastecerá tanto as centrais eléctricas do Soyo como a Angola LNG. Esta última – uma das poucas unidades operacionais de exportação de gás natural liquefeito (LNG) na África Subsaariana – representa um ponto de entrada estratégico para as empresas norte-americanas nas cadeias globais de fornecimento de LNG. Integrada no Novo Consórcio de Gás, a Chevron está também a desenvolver o primeiro projecto de gás não associado de Angola, com arranque previsto para o final de 2025 ou início de 2026.
Os projectos downstream e midstream constituem outro pilar essencial da transformação energética de Angola. Está em curso a construção da Refinaria de Cabinda, um investimento de 920 milhões de dólares, com empresas norte-americanas envolvidas nas áreas de engenharia e procurement. O Corredor do Lobito, uma iniciativa de infraestrutura apoiada pelos EUA que liga o porto do Lobito à Zâmbia e à República Democrática do Congo, está a ganhar forma como um eixo estratégico para o transporte de energia e industrialização regional, oferecendo novas oportunidades para empresas norte-americanas nas áreas de logística, armazenamento e infraestrutura ferroviária ligada à energia. Investimentos complementares em terminais de armazenamento, distribuição de combustíveis e capacidade nacional de refinação estão a contribuir para reduzir a dependência de Angola das importações e a aumentar a sua autossuficiência energética.
Este novo impulso marca um compromisso renovado com o alinhamento da cooperação energética entre Angola e os Estados Unidos aos objectivos do desenvolvimento sustentável, da segurança energética e da modernização económica.













