Presidente de Moçambique exorta o setor privado a transformar o gasoduto de GNL de 50 mil milhões de dólares num motor de crescimento económico significativo

O Presidente Daniel Chapo afirma que os mais de 50 mil milhões de dólares em investimentos no setor energético da Bacia do Rovuma podem posicionar Moçambique como um centro energético regional, ao mesmo tempo que apela ao setor privado para que transforme estes grandes projetos em crescimento industrial, emprego e empresas locais mais fortes.

Moçambique está a posicionar-se como um centro energético regional, apoiado por projetos de GNL no valor de 50 mil milhões de dólares atualmente em desenvolvimento na Bacia do Rovuma. Num discurso proferido esta semana na Cimeira de CEOs de Moçambique, o presidente moçambicano Daniel Chapo afirmou que os recursos naturais, as infraestruturas e a localização estratégica do país não só proporcionarão as bases para o estabelecer como um importante centro regional de produção e distribuição de energia, como também permitirão desenvolvimentos capazes de transformar a economia nacional. 

Com mais de 100 biliões de pés cúbicos de recursos de gás só na Bacia do Rovuma, Moçambique está bem posicionado para utilizar os seus recursos energéticos para impulsionar uma nova fase de crescimento económico. Entre os principais projetos contam-se o Coral South FLNG (em funcionamento), liderado pela Eni, e o Coral North FLNG (2028); o projeto Mozambique LNG (2029), liderado pela TotalEnergies; e o desenvolvimento do Rovuma LNG, liderado pela ExxonMobil, que tem como objetivo a decisão final de investimento (FID) em 2026 ou 2027. Estes projetos têm uma capacidade combinada superior a 40 milhões de toneladas por ano. 

No seu discurso de abertura, o Presidente Chapo salientou que o governo pretende aproveitar estes projetos para acelerar a industrialização, aumentar a capacidade local, criar oportunidades de emprego qualificado e, ao mesmo tempo, reforçar o ecossistema empresarial moçambicano. Para tal, o presidente apelou aos projetos de Rovuma do país para que dêem prioridade ao desenvolvimento da força de trabalho e às iniciativas de formação, garantindo simultaneamente que os empreiteiros e as empresas moçambicanas ativas na cadeia de abastecimento desempenhem um papel significativo no desenvolvimento dos projetos.  

O Presidente sublinhou ainda que o setor privado será fundamental para concretizar a próxima fase de crescimento. O Presidente Chapo apelou a um maior profissionalismo, integridade, respeito pelos contratos e capacidade de execução dos projetos, comprometendo simultaneamente o governo a prosseguir com as reformas destinadas a reforçar o ambiente de investimento em Moçambique. Salientou que os grandes projetos devem beneficiar diretamente a economia nacional, nomeadamente através do conteúdo local e de oportunidades para as micro, pequenas e médias empresas. 

A Lei do Conteúdo Local de Moçambique, recentemente aprovada, constitui uma parte importante desta estratégia. O Presidente Chapo posicionou o conteúdo local não apenas como uma obrigação regulamentar, mas como uma ferramenta de desenvolvimento económico capaz de fortalecer as empresas nacionais, desenvolver as competências da força de trabalho e aumentar a participação moçambicana na riqueza gerada pelos recursos naturais do país.

A Câmara Africana de Energia (AEC), representada na Cimeira de CEOs de Moçambique pelo Presidente Executivo NJ Ayuk, apoia este esforço para transformar o investimento energético em grande escala num crescimento interno e regional mais forte. Durante a Cimeira, a AEC participou em discussões estratégicas com a Câmara de Comércio de Moçambique sobre como tirar partido dos recursos energéticos do país para aumentar a participação do setor privado e acelerar o desenvolvimento da indústria local.

«O Presidente Daniel Chapo e o seu governo estão a trabalhar em estreita colaboração com o setor privado em reformas que reduzem drasticamente a burocracia que tem impedido Moçambique de concretizar o seu verdadeiro potencial. Moçambique reduziu a burocracia e estendeu o tapete vermelho aos investidores e aos moçambicanos, e o mundo tem tudo a ganhar», afirma Ayuk. 

Energia fiável e abundante poderá também abrir uma nova fronteira de investimento na economia digital. O presidente Chapo identificou os centros de dados e as infraestruturas de inteligência artificial entre os setores que Moçambique poderá atrair à medida que a disponibilidade de energia melhora, posicionando o país para combinar a sua base de recursos com uma diversificação económica impulsionada pela tecnologia.

«O setor privado em Moçambique vai moldar o futuro. Precisamos de fomentar o sucesso moçambicano, capacitá-lo, recompensá-lo e celebrá-lo. A Cimeira de CEOs de Moçambique representa uma boa plataforma para o futuro e a AEC continuará a apoiá-la», acrescentou Ayuk.  

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