Por dentro da reviravolta do setor petrolífero em Angola: novo livro traça o roteiro das reformas

A mais recente publicação do Presidente Executivo da AEC, NJ Ayuk, explora a forma como Angola aproveitou as reformas políticas, o investimento no setor a montante e a liderança política para se reposicionar como um dos mercados de petróleo e gás mais resilientes de África.
Crude Oil Angola

O mais recente livro do presidente executivo da African Energy Chamber, NJ Ayuk, intitulado Crude Oil: Power, Turnaround and Transformation in Angola, chegou oficialmente às livrarias, oferecendo aos leitores uma análise aprofundada de um dos maiores mercados de matérias-primas de África. Apresentando uma análise detalhada e cativante da indústria petrolífera angolana, o livro traça a forma como décadas de evolução política, reformas estruturais e liderança estratégica remodelaram o mercado de crude do país.

Combinando história política, análise do setor e perspetivas em primeira mão de decisores-chave, o livro examina como Angola se transformou num mercado de petróleo bruto competitivo a nível global, apesar de anos de declínio na produção, pressão económica e desafios estruturais. O livro apresenta as perspetivas do Ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás de Angola, Diamantino Azevedo; do CEO da Sonangol, Sebastião Gaspar Martins; e do Presidente da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG), oferecendo aos leitores uma visão dos bastidores das reformas e decisões políticas que moldam o próximo capítulo do petróleo no país.

O lançamento marca a mais recente adição de Ayuk a um portfólio crescente de livros best-sellers sobre energia e investimento focados na trajetória de desenvolvimento de África. Os títulos anteriores incluem Big Barrels: African Oil and Gas and the Quest for Prosperity; Billions at Play: The Future of African Energy and Doing Deals; e A Just Transition: Making Energy Poverty History with an Energy Mix. Através destas obras, Ayuk tem defendido consistentemente estratégias de desenvolvimento energético pragmáticas e orientadas para o investimento, adaptadas às realidades económicas de África.

O mais recente lançamento centra-se na eficácia da agenda de reformas abrangentes de Angola nos últimos anos e na forma como as mudanças políticas impulsionaram a exploração e o investimento. Estas incluem a criação da ANPG e o lançamento de uma estratégia de licenciamento plurianual em 2019, com o objetivo de reforçar a confiança dos investidores, simplificar os procedimentos do setor e impulsionar a atividade de licenciamento. Entre 2019 e 2025, foram negociados 64 blocos, dos quais 37 foram adjudicados e 27 permanecem em fase de aprovação ou negociação. A próxima ronda de licenciamento está prevista para este ano.

O livro explora também como as estruturas de investimento flexíveis de Angola têm atraído investimentos significativos tanto de empresas petrolíferas internacionais como de independentes. A introdução de um Regime de Oferta Permanente permitiu aos operadores adquirir áreas fora dos limites das estruturas tradicionais de licenciamento, enquanto o lançamento do Decreto de Produção Incremental impulsionou o reinvestimento em campos maduros. Estas reformas — combinadas com melhores condições fiscais e uma cooperação reforçada com a Sonangol — já produziram resultados.

A TotalEnergies comprometeu-se a investir 3 mil milhões de dólares no mercado nos próximos anos, a Azule Energy está a investir 5 mil milhões de dólares, enquanto a ExxonMobil, a Chevron e a Equinor estão a expandir as suas carteiras. Em terra, as empresas independentes estão a liderar um ressurgimento da exploração, com empresas como a Afentra, a Etu Energias, a Corcel, a ACREP e outras a impulsionar as atividades de perfuração. Estas reformas também atraíram novos intervenientes para entrar ou regressar ao mercado. A Shell e a Petrobras regressaram às bacias de águas profundas de Angola em 2025, enquanto a Oando formalizou a sua entrada no mercado onshore do país em 2026.

Para além dos compromissos de investimento, o livro oferece um panorama dos projetos que impulsionam o ressurgimento da produção de Angola. Estes incluem os avanços no Desenvolvimento Integrado do Agogo West Hub, na sequência da entrada em serviço do FPSO Agogo em 2025 e do arranque do campo de Ndungu em 2026;

o desenvolvimento em águas profundas de Kaminho — a caminho de um início em 2028; e os projetos operacionais Begonia e CLOV Fase 3, que, em conjunto, adicionaram 60 000 bpd ao portfólio de produção de Angola em 2025. À medida que o país continua a procurar a estabilidade da produção acima de um milhão de bpd, o livro posiciona Angola não só como um importante produtor de hidrocarbonetos, mas como um caso de estudo sobre como uma política orientada para as reformas pode reposicionar os mercados petrolíferos africanos para a competitividade e o crescimento a longo prazo.

«A história de Angola não se resume apenas à produção de petróleo. Trata-se de reforma, resiliência e da vontade de enfrentar realidades difíceis para construir um futuro mais forte. Este livro examina como a liderança, a reforma política e o investimento estratégico transformaram o setor petrolífero de Angola numa das histórias de recuperação mais inspiradoras de África», afirma Ayuk.

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