Segundo Anibor Kragha, Secretário Executivo da Associação Africana de Refinaria e Distribuição, o aumento da segurança energética através da exploração de toda a base de recursos energéticos do continente representa uma prioridade máxima para África no atual contexto de transição energética.
África tem de dar prioridade ao desenvolvimento de refinarias para garantir a máxima exploração dos recursos locais e alcançar a segurança energética, afirmou Anibor Kragha, Secretário Executivo da Associação Africana de Refinadores e Distribuidores (ARDA), durante a abertura da Conferência da Semana ARDA 2023, que decorre de 13 a 17 de março na Cidade do Cabo.
Na sua apresentação intitulada "Equilíbrio entre Transição Energética e Segurança Energética para o Downstream Africano", Kragha deu uma visão sobre a forma como o continente africano pode maximizar o desenvolvimento e a exploração dos seus recursos energéticos para alcançar a segurança energética e, ao mesmo tempo, garantir que a transição energética seja justa e inclusiva para toda a população.
Kragha explorou a forma como questões como o conflito russo-ucraniano e as políticas relacionadas com a transição energética realçaram a necessidade de África dar prioridade aos investimentos a jusante e ao desenvolvimento de infra-estruturas para resolver questões energéticas críticas como a procura crescente e o aumento da pobreza energética. De acordo com Kraghar, o conflito russo-ucraniano demonstrou a necessidade de intervenções a curto prazo para resolver a crise energética, a par dos objectivos a médio e longo prazo de uma transição energética.
"O que nos motiva enquanto ARDA, apesar do que aconteceu a nível global, é que a procura de energia irá aumentar até 2040 devido ao crescimento da população e à industrialização em África", partilhou Kragha.
Kragha sublinhou a necessidade vital para o continente de equilibrar a transição energética com a segurança, afirmando que "a segurança energética é a nossa prioridade a curto prazo. Não somos o maior poluidor do mundo, por isso estamos a concentrar-nos mais no fornecimento ininterrupto, seguro e acessível de energia".
Embora a procura de energia em África continue a crescer significativamente, com o continente a tornar-se o maior comprador mundial de produtos petrolíferos refinados, Kragha falou da necessidade de o continente atrair novos investimentos para modernizar os projectos existentes e acelerar o ritmo a que o continente está a desenvolver os projectos em curso.
"As infra-estruturas de armazenamento e distribuição, incluindo os oleodutos e o armazenamento, devem estar no centro das atenções. Não podemos ter um diálogo sobre refinarias sem armazenamento", afirmou Kragha.
Com a falta de investimentos adequados a impedir o crescimento da indústria a jusante de África, Kragha comentou os vários mecanismos que estão a ser implementados e adoptados pela ARDA para apoiar o desenvolvimento de infra-estruturas a jusante. Queremos garantir que temos um plano de financiamento para assegurar que os projectos são financiáveis. Queremos colaborar com o Afreximbank e a Africa Finance Corporation para garantir que os nossos membros possam ser financiados para produzir combustíveis mais limpos e para o desenvolvimento de armazenamento e distribuição".
"Estamos também a desenvolver um Fundo de Desenvolvimento do Setor do Gás Petrolífero Liquefeito com o Standard Bank e outras instituições multilaterais para garantir que a utilização do gás é optimizada pelos nossos membros para responder às necessidades energéticas locais", acrescentou Kragha.
Entretanto, embora a África esteja a dar prioridade à resposta ao aumento da procura de energia, Kragha sublinhou que os riscos de aumento da poluição irão introduzir novas ameaças para as economias, a menos que os países adoptem combustíveis fósseis mais limpos. De acordo com Kragha, "a procura crescente de África tem de ser satisfeita com combustíveis fósseis mais limpos. Com a previsão de que os combustíveis fósseis continuem a representar 60% da procura, a ARDA continuará a promover o intercâmbio das melhores práticas em matéria de sustentabilidade energética entre os nossos membros, bem como a promover investimentos em toda a indústria a jusante."
Enquanto outros blocos, incluindo a Europa, estão a dar prioridade à descarbonização energética, Kragha sublinhou a importância de África explorar os seus recursos de combustíveis fósseis, que permanecem em grande parte inexplorados, para poder tornar-se uma zona económica e uma indústria energética globalmente competitiva.
"Não somos o maior poluidor do mundo. A Europa contribui com a maior parte das emissões e África contribui apenas com 2,7%. Se a África executar todos os seus projectos de gás, não haverá um grande impacto nas emissões globais. Não existe uma solução única para a sustentabilidade energética e precisamos de uma transição justa".
No entanto, Kragha sublinhou que, apesar de ser o menor emissor, África tem de continuar a descarbonizar a sua indústria energética, afirmando que "temos de demonstrar que podemos fornecer créditos de carbono a jusante. O que África tem de fazer, década após década, é descarbonizar. Até 2030, precisamos de transportes mais limpos, cozinha limpa e soluções de energia".
Tudo isto e muito mais será desvendado durante a edição de 2023 da conferência e exposição da Semana Africana da Energia (AEW), o principal evento africano para a indústria do petróleo e do gás. Sob o mandato de fazer com que a pobreza energética passe à história até 2030, a AEW 2023 irá ligar investidores e promotores de projectos aos decisores políticos africanos, gerando novo capital para o florescente sector downstream de África. AEW 2023 é a conferência anual de energia da Câmara Africana de Energia, que terá lugar na Cidade do Cabo de 16 a 20 de outubro.













