Anibor Kragha, Secretário Executivo da Associação Africana de Refinadores e Distribuidores (ARDA), foi reconduzido para um terceiro mandato, prolongando a sua liderança num momento crucial para o setor a jusante de África. A decisão surge no momento em que a ARDA assinala 20 anos desde a sua criação como plataforma central para a refinação, distribuição e coordenação de políticas em todo o continente. A reeleição de Kragha sinaliza tanto a confiança na sua liderança como o reconhecimento da necessidade de continuidade, numa altura em que África se esforça por alcançar a soberania energética num contexto de choques de oferta a nível global.
A Câmara Africana de Energia (AEC) acolheu com agrado a recondução, sublinhando a defesa de longa data de Kragha da segurança energética, da integração regional e da inovação liderada por África. Durante o seu mandato, a ARDA tem apelado consistentemente a um comércio intra-africano mais forte de produtos petrolíferos, à redução da dependência das importações e ao desenvolvimento de ecossistemas de refinação localizados. A Câmara acredita que a sua liderança surge num ponto de inflexão crítico, em que o alinhamento de políticas, o investimento em infraestruturas e a coordenação institucional são cada vez mais urgentes.
«A liderança de Anibor Kragha tem sido fundamental para moldar a agenda do setor a jusante de África, numa altura em que o continente deve assumir o controlo do seu futuro energético. Kragha não só defendeu o papel do petróleo e do gás no desenvolvimento de África, como também promoveu soluções pragmáticas e orientadas para o mercado para desbloquear o valor a jusante. A sua recondução reflete um mandato claro para passar da ambição à ação – para construir as refinarias, as infraestruturas e os mercados que garantirão a independência energética de África e impulsionarão o crescimento industrial a longo prazo», afirma NJ Ayuk, Presidente Executivo da AEC.
O momento da recondução de Kragha é estrategicamente significativo. Embora a ARDA tenha apelado consistentemente à necessidade de reestruturar o setor a jusante de África para atrair capital e garantir a segurança do abastecimento, os recentes acontecimentos geopolíticos expuseram ainda mais a vulnerabilidade do continente às dinâmicas do mercado global. A ameaça ao abastecimento proveniente do Estreito de Ormuz deixou muitas nações africanas dependentes de importações a lutar por produtos, agravando ainda mais um mercado a jusante já limitado. Isto acontece num momento em que se prevê que a procura de petróleo continue a crescer até 2050 e além.
A procura de produtos refinados deverá aumentar de 4 milhões de barris por dia (bpd) para 6 milhões de bpd até 2050, enquanto o consumo de gasolina atingirá 2,2 milhões de bpd, o consumo de gasóleo aumentará 50% e o de querosene expandir-se-á 65%, atingindo 465 000 bpd. Para cumprir os seus objetivos a meio da década, África necessita de mais de 40 mil milhões de dólares em investimentos na refinação até 2030 e de mais 60 mil milhões de dólares na década seguinte, principalmente para a construção de refinarias, modernização e melhorias na capacidade de processamento secundário. Isto destaca um défice de investimento de 100 mil milhões de dólares — e uma oportunidade — para os promotores de projetos.
Desenvolvimentos recentes sinalizam uma mudança na direção certa. Até 2030, espera-se que a África acrescente 1,2 milhões de bpd de nova capacidade de refinação, marcando uma das expansões a jusante mais rápidas a nível global. Na vanguarda está a Refinaria Dangote da Nigéria, com 650 000 bpd — agora a operar a plena capacidade e com planos de expansão para 1,2 milhões de bpd —, bem como novos desenvolvimentos como a Refinaria de Lobito (Angola), com 200 000 bpd,
a instalação de Soyo, com 100 000 bpd (Angola), e a Refinaria de Hoima, com 60 000 bpd (Uganda). Estes projetos refletem uma mudança no sentido de cadeias de valor integradas, ligando a produção a montante à refinação doméstica.
Para além da refinação, a ARDA tem defendido consistentemente o reforço da capacidade de oleodutos e armazenamento, destacando a importância do comércio e da distribuição intra-africanos. Persistem estrangulamentos nestas áreas, mas as infraestruturas estão a ser expandidas para os resolver. O Oleoduto de Petróleo Bruto da África Oriental, com 1 443 km, deverá entrar em funcionamento este ano, enquanto o Gasoduto Nigéria-Marrocos, no valor de 25 mil milhões de dólares — que atravessa 13 estados da África Ocidental —, deverá avançar com a assinatura do acordo intergovernamental em 2026. Estes projetos coincidem com investimentos em infraestruturas de logística e armazenamento, incluindo o Porto de Durban, na África do Sul, novos terminais de GPL na Tanzânia e bases de abastecimento modernizadas na Namíbia e no Uganda.
Estes desenvolvimentos estão em sintonia com quadros continentais mais amplos, como a Zona de Comércio Livre Continental Africana, que visa facilitar a circulação de bens e serviços através das fronteiras. À medida que África navega num panorama energético global cada vez mais complexo, a continuidade proporcionada pela liderança de Kragha oferece uma certa estabilidade. O desafio agora é a execução em grande escala — traduzir a visão em infraestruturas e as políticas em capacidade — para garantir que o continente capta todo o valor dos seus recursos.













