A Câmara Africana de Energia (AEC) realizou, na terça-feira, em Abidjan, discussões de alto nível com Mamadou Sangafowa Coulibaly, Ministro das Minas, Petróleo e Energia, centradas na aceleração do desenvolvimento do setor a montante, na expansão dos fluxos de investimento e no reforço dos quadros institucionais que apoiam o crescimento energético a longo prazo do país.
A reunião teve lugar num momento em que a Costa do Marfim continua a consolidar a sua posição como um dos mercados a montante de mais rápido crescimento da África Ocidental, apoiada pelo aumento da produção, por campanhas de perfuração ativas e por um renovado interesse internacional na exploração em áreas offshore.
Um dos principais temas de discussão foi o desempenho dos principais projetos de desenvolvimento a montante da Costa do Marfim, com ênfase nos sólidos resultados operacionais já alcançados pelos principais operadores internacionais e na dinâmica positiva que se mantém em toda a bacia. O projeto Baleine da Eni, desenvolvido em parceria com a Petroci e a Vitol, continua a ser fundamental para a trajetória de crescimento da produção da Costa do Marfim, prevendo-se que a sua terceira fase de desenvolvimento aumente significativamente a produção para cerca de 150 000 barris por dia. O projeto continua também a contribuir com gás associado para a produção de energia elétrica a nível nacional, reforçando a sua importância estratégica para a segurança energética nacional.
A reunião analisou ainda as atividades de perfuração em curso e futuras nos ativos em produção. As operações da VAALCO Energy no Bloco CI-40 offshore, em parceria com a CNR International, estão a preparar uma nova campanha de perfuração na sequência de melhorias planeadas no campo, prevendo-se aumentos de produção a partir de 2026, no âmbito de uma estratégia mais ampla de reabilitação centrada na perfuração de preenchimento e na otimização de ativos.
Foi igualmente destacado o dinamismo da exploração na bacia offshore da Costa do Marfim, incluindo a campanha de perfuração de múltiplos poços planeada pela Murphy Oil, que visa prospetos como Civette, Caracal e Bubale durante o período de 2025–2026. O encontro registou ainda um renovado interesse internacional no setor a montante do país, apoiado pelo seu ambiente favorável ao investimento, incluindo a mais recente entrada da Petrobras através da adjudicação de vários blocos de exploração offshore.
Os desenvolvimentos institucionais e financeiros foram igualmente um ponto-chave de discussão, em particular as reformas no seio da Organização dos Produtores Africanos de Petróleo e os progressos no sentido da criação do Banco Africano de Energia. O ministro garantiu que os esforços para tornar o banco operacional estão a avançar, com trabalhos em curso para assegurar que este se torne plenamente funcional e capaz de impulsionar uma maior participação das partes interessadas, tanto do setor público como do privado. A iniciativa foi destacada como um mecanismo prioritário para alargar o acesso ao capital para projetos energéticos africanos e reforçar o desenvolvimento a longo prazo do setor a montante em todo o continente.

«O que estamos a observar na Costa do Marfim não é um progresso incremental — trata-se de uma clara aceleração da dinâmica no setor a montante. Com grandes projetos a avançar, novas explorações a entrar no mercado e quadros de financiamento a tomarem forma, o país está a posicionar-se como um dos destinos de investimento energético mais atraentes de África», afirmou NJ Ayuk, Presidente Executivo da AEC.
A Câmara também realizou debates com a Africa Global Logistics (AGL), onde a liderança destacou o papel crescente da empresa como parceiro-chave em logística e infraestruturas, apoiando o setor do petróleo e gás da Costa do Marfim. A AGL tem-se posicionado cada vez mais como um facilitador central da atividade a montante, fornecendo apoio logístico, de transporte e operacional a grandes empresas de exploração, incluindo a Eni, a Murphy Oil e a CNR International. A empresa está também a investir em novas infraestruturas logísticas no país, reforçando a emergência da Costa do Marfim como um centro regional para serviços da cadeia de abastecimento energético, ao mesmo tempo que melhora a eficiência e a competitividade em termos de custos para os operadores de todo o setor.
Outros encontros incluíram a GES-Petrogaz, uma associação local de serviços de petróleo e gás, focada no reforço da participação dos prestadores de serviços nacionais na cadeia de valor energética, na melhoria do ambiente propício para as empresas locais e na expansão do desenvolvimento de competências e das oportunidades de empreendedorismo.
Foram igualmente realizadas discussões com a Société Ivoirienne de Raffinage (SIR), onde foram delineados planos para expandir a capacidade de refinação, a par de esforços para reforçar a segurança energética nacional e apoiar a produção de combustíveis com menor pegada de carbono, no âmbito da estratégia mais ampla de desenvolvimento industrial da Costa do Marfim.
